12.12.13

Nua*

Após do renascer, cosecha propia.
Eu amo tua nudez
porque nua me bebes com os poros,
como faz a água quando entre suas paredes eu mergulho.

Tua nudez derriba com o seu calor os limites,
abre todas as portas para que eu adivinhe você,
me pega da mão como criança extraviada
que em ti apaziguará sua idade e suas perguntas.

Tua pele doce e salobre que eu respiro e que eu degusto
vira meu universo, o credo que me nutre;
a aromática lâmpada que levanto estando cego
quando junto às sombras os desejos me latem.

Quando você fica nua para mim com os olhos fechados
cabes numa taça vizinha da minha língua,
cabes entre minhas mãos como pão necessário,
cabes embaixo do meu corpo mais cabal que a  sua sombra.

O dia em que tu morras te sepultarei nua
para que limpo seja teu reparto na terra,
para que eu possa beijar tua pele nas estradas,
entrelaçar-te em cada rio os cabelos despenteados.

O dia em que tu morras te sepultarei nua,
como quando você nasceu novamente entre minhas pernas.

______
*Nossa tradução livre ao português do poema “Desnuda” do poeta salvadorenho Roque Dalton.

Pra ouvir:

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