30.6.14

Crescimento do céu

Crescimento

                Numa viagem pelo recôndito sul do país enxergaram trás o mato mórbido a fumaça das cores pastel, uma poluição bonita e uniforme que ia crescendo às dez e seis horas, após da pergunta explicaram-lhes os nativos que nesse momento as casas dos povoados de perto ascendem o fogo pra cozinhar os alimentos e nessa jornada a janta seria mais-do-que-especial pelos convidados, e todo ia virando cor, como um pôr-do-sol adiantado, ficou o céu tingido, mas o ar pesado e restrito pra a respiração dos acostumados ao cheiro sufocante da fumaça, em breve todos calaram e os rostos dos viajantes eram mais que menos medo, vontades de largar, mas a fumaça crescia tipo show de bola, só ficava curtir, tudo pronto pra esquecer, um prelúdio inócuo da inconsciência porque o céu também crescia e as cores enchiam todo espaço vazio, cores e mato longe pra ninguém lembrar que não haveria mais oxigênio respirável na hora, e ninguém conseguiu contar às outras civilizações o fantástico crescimento do céu e suas majestosas cores nunca foram reproduzidas artificialmente.