22.9.14

Terça

2014 - 09 - 19
                Disforia. É mesmo chato, o tempo transcorrendo devagarinho, é assim na pior, quando todo dá errado, quando mesmo sendo direito o negócio fica torto e a vida vira literalmente num espaço e tempo sacana. Lembranças do quarto da pensão, longe de todo o conhecido, a liberdade ali, feita num embrulho, pronta pra utilizar, mas sem usufruir, a alma cheia de magoa sem motivo nem necessidade, um medo de proporções continentais pra quem já foi tão rebelde na sua província é cuspida no rosto, afogado num copo pequeno e plástico que enche de uísque vagabundo e cinza de cigarro daquela fumaça fedorenta a árvore queimada, tipo morador de rua com todos os benefícios do burguês, uma ou duas fomes verdadeiras e mil decepções relativas, algum grito entrando pela janela que virou numa semana a única conexão com o mundo porto-alegrense.

            Na pensão só tinha estrangeiro: de dentro do país, mas longe, de dentro do Estado, mas distinto, de fora do país e feito uma bagunça, todos com a convicção de continuar vivendo as suas vidas, Deus só olhando às vezes não; deitado e acordado doze horas, como uma alucinação consciente, imagine se tivesse sido naquela habitação sem janela, mas com cheiro de mofo da Duque de Caxias, é possível que as próprias veias tivessem arrebentado sozinhas e o assunto ficaria esquecido após das investigações ou seria mais um papo de boteco, hoje é só uma palavra que dá nome a um estado anímico num tempo fechado e pra outros por abrir, ainda bem.      

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